Mitos: Conheça 3 Mentiras que Impedem Você de Fazer bons Vídeos

Mitos: Conheça 3 Mentiras que Impedem Você de Fazer bons Vídeos
8 de outubro de 2013 Vitor Alli

Os 3 Piores Mitos sobre a Produção de Vídeos são falsas afirmações comumente feitas entre os mais desavisados. Posso dizer até que inclusive entre os profissionais desavisados.

Acontece que ao longo de toda uma vida a gente é incitado a acreditar em falsas verdades que geram medos e inseguranças que nos afastam gradativamente da vontade de produzir.

São lugares-comuns que relacionam a produção de vídeos a práticas fantásticas ou a necessidades inatas. Como se para obter uma boa imagem fosse preciso ter nascido com um dom, com a beleza, a voz e a coragem necessárias pra se gravar.

Eu não acredito em nada disso e tenho meus motivos. Vou esclarecer isto neste post pra você.

Vou desmistificar essas inverdades agora e justificar o porquê de os considerar apenas mitos. Faremos um passo-a-passo para entender que eles não existem e o que há por trás dessas afirmações.

Vale reforçar que este é um passo muito importante, porque os mitos dificultam a nossa percepção real e alimentam a timidez, a baixa autoconfiança e, portanto, alimentam o nosso medo da câmera.

1º MITO: CARISMA

O primeiro mito está relacionado ao carisma.

É absolutamente comum associar o carisma a uma qualidade que nasce com você e que não pode ser adquirida.

Quando disse no início deste texto que até profissionais de vídeo disseminam esses mitos de forma absolutamente inocente é justamente porque eu presenciei muitos testes de atores ou audições em que o carisma era colocado como um fator mágico, um dom divino.

E apesar de o nome vir do grego e depois ter adquirido uma grande carga do catolicismo para designar realmente um dom divino, o carisma hoje, no mundo pós-celebridades, nada mais é do que o poder de chamar e prender a atenção das pessoas de maneira positiva.

Ele é o resultado de um conjunto de práticas e hábitos que, geralmente, estão associados ao nível de consciência de Persona, que é o responsável pelo equilíbrio entre paixão, energia e personalidade.

Carisma é aquisição de confiança, otimismo, interesse, atenção aos detalhes, assertividade. Ele pode ser apre(e)ndido.

Perceba que ele está muito associado aos valores de uma pessoa, à educação, à maneira com a qual ela lida com o mundo e consigo mesmo e, por isso, existe a crença do carisma inato. Porque ele pode ser desenvolvido ao longo da vida do indivíduo.

Assim há pessoas que praticam as técnicas e os valores que levam ao carisma sem perceber, ou seja, os utilizam de forma inconsciente.

Por outro lado, há pessoas que querem obter carisma e precisam passar por um processo de autoconhecimento e mudança de hábitos. E, assim, passam a ser conscientes das técnicas. Só isso. Se você “aprender”, você terá carisma.

Há quem confunda o carisma com o poder de liderança. Os dois são qualidades que, de fato, se parecem. Os dois podem nascer aflorados em certas pessoas ou podem ser adquiridos através de grandes mudanças nas nossas vidas.

Mas perceba que pessoas carismáticas não necessariamente conseguem obter as qualidades de um líder. Estabelecer conexão é diferente de saber administrar, mas é um grande passo para inspirar. Por isso a confusão.

Faz-se importante entender também que a relevância aqui não está no julgamento se o carisma veio de berço ou não. Não existe uma relação de valores neste sentido. Mas existe, obviamente, uma importância crucial na genuinidade deste carisma.

Simular-se carismático pode te colocar em maus lençóis e destruir a sua credibilidade.

Se por um lado ele não é inato, por outro ele precisa ser genuíno. Repito para que você se lembre: o carisma é o poder de chamar e prender a atenção das pessoas de maneira positiva.

 

2º MITO: TRANSPARÊNCIA

Mito 2; Transparência Eu particularmente tenho um apreço grande por este tema. Durante muitos anos pesquisei academicamente sobre os processos de construção de realidades (ou projeções de realidades) pela mídia.

Sendo assim, eu poderia aqui apresentar algumas ideias sobre a crise da representação, os conceitos de simulações e simulacros, a provocação sobre o deserto de real, a paixão pelo real na contemporaneidade ou a construção de reais ficcionais, ou mesmo os mitos da imparcialidade e objetividade e a crise do jornalismo. Tudo isso ajudaria a preencher um quadro bastante completo que não só acabaria com o mito da transparência, como também esmigalharia de uma vez por todas essa ideia na sua mente.

Mas a minha função aqui é facilitar a sua vida. Não acredito que precisemos ir tão a fundo para entender que o vídeo não é a ferramenta de comunicação mais transparente que existe.

Apesar de vermos muita gente colaborando com esta afirmação, ela é mentira. Haja visto o cinema, campo infinito para ficções.

Existe, na verdade, um EFEITO DE TRANSPARÊNCIA que podemos, inclusive, usar em nosso favor.

Mas não acredite que o vídeo possa mostrar a sua alma, despi-lo para o seu público. Isso é lenda. E isso te afasta de produzir vídeos porque obviamente não queremos nos submeter a uma exposição não-controlada.

Mas o vídeo é uma ferramenta moldável e existem vários pequenos detalhes que podem ajudar a montar a sua mensagem e amenizar seus pontos fracos, ressaltar seus pontos fortes. Você controla o que o vídeo mostra e não o contrário.

Basta conhecer as ferramentas.

O que é mais transparente para você: um palestrante em frente a mil pessoas, aberto a perguntas, explicando seu método ao vivo, vulnerável a erros, tropeços… ou uma pessoa que escreveu um script por dias a fio, colocou o texto num teleprompter, cometeu vários erros, gravou várias vezes, consertou tudo na edição, controlou a luz, o corpo, a câmera, o figurino, a maquiagem, o cenário, colocou animações detalhadas aparecendo na tela ao lado dele e passou sua mensagem?

Eu, particularmente, acho o ao vivo mais transparente. E não estamos aqui tentando fazer um juízo de valor.

A transparência, neste caso, não indica o que é melhor ou não. Ainda que o vídeo não seja transparente, nada muda o fato de que é hoje uma ferramenta de marketing poderosa.

E essa falta de transparência do vídeo, essa possibilidade de manipulação da imagem, é uma ótima aliada nossa, já que o desconforto com a câmera pode também ser amenizado sem que o espectador perceba.

Por exemplo, se o seu plano (take) for mais fechado, se a câmera não mostrar o seu pé, você poderia muito bem gravar de chinelos. Se estar descalço te tranquiliza, se faz você se sentir melhor, por que não?

O fato é que se você tiver o controle, a câmera mostrará apenas o que você quer que ela mostre. Mais que isso é mito.

Mas para ficar claro, não entenda que a falta de transparência da mídia retira a força da sua transparência.

É muito importante que você busque e transmita a sua verdade para o seu público, independente da mídia que você vai usar. Um assunto é a transparência da mídia enquanto mídia e outro é a transparência das suas atitudes, ideias e forma de usar seus conhecimentos. Não confunda as coisas.

 

3º MITO: FEIURA

E o terceiro e pior mito de todos é o da feiura.

Impressionante! O que tem de gente que se menospreza de todas as formas para fugir de gravar é inacreditável.

“Ah, mas não sou bonito…”

“Minha voz é irritante…”

“Eu já sou gordo, na câmera então…”

E olha que essas são só algumas das desculpas provocadas pelo mito da feiura.

Eu entendo que a nossa sociedade, especialmente a brasileira, procura incessantemente pelos modelos de beleza fabricados na grande mídia. Mas é importante que saibamos (e já sabemos) que beleza é uma característica relativa e irrelevante na busca pela construção de um relacionamento duradouro e transparente.

Quando falo que esta é uma realidade brasileira, é porque é muito comum encontrar na televisão alemã (com a qual tenho mais contato), por exemplo, uma gama diferente de belezas e de representações do próprio povo.

Aqui na Alemanha, não se dá apenas espaço para as gostosonas. Vemos todos os tipos de pessoas na televisão. Isso nos aproxima da beleza natural das pessoas, não da fabricada. Pessoas com ou sem sardas, gordas, magras, corpos retos, curvos, olhos grandes, pequenos, loiras, morenas, ruivas, pretas e brancas.

Sei que no Brasil as coisas são diferentes. E por isso a pressão sobre o quesito ‘beleza’ tem outra proporção.

Mas acredite: ninguém espera por top models ao procurar por serviços ou produtos. As pessoas querem conteúdo, informação. Elas precisam resolver problemas. Elas precisam confiar na pessoa que passa as informações para ela. E a beleza passa longe de uma relação com a confiança.

E apesar de não atuarmos na Alemanha, eu posso te garantir que, quando nos assumimos, quando somos transparentes em relação a nós mesmos, a sensação percebida de veracidade, de proximidade, de pertencimento, é a mesma.

Isto quer dizer que a beleza em alguma instância pode facilitar a comunicação, em outras, pode até dificultar, mas assumir para nós mesmos e para os outros as nossas formas de ser, essa é a maior prova da nossa transparência, da nossa segurança, da nossa assertividade.

Além disso, existe uma diferença, às vezes gritante, da imagem que temos de nós mesmos com as imagens que as pessoas têm da gente.

>> Saiba mais sobre isso no Post ‘Por que odiamos nossas vozes gravadas?’ <<

Essa realidade assustadora, em princípio, também alimenta nossa insegurança em relação à nossa imagem. Mas acredite que somos, na maioria das vezes, os nossos piores carrascos.

Precisamos entender que o prisma com o qual percebemos nosso corpo é diferente do prisma do nosso público. Devemos exercitar o olhar para aproximar essas duas visões.

Mas é preciso que saibamos de uma vez por todas que a nossa imagem não é o foco dos nossos vídeos. Ela é apenas um meio para passar informação.

No fim de tudo, existe, claro, um medo legítimo que é o da avaliação das pessoas, do julgamento delas (falamos um pouco disso no Medo da Câmera e a Timidez do Pós). Mas é importante que você entenda que se o foco não for você, mas o seu conteúdo, ou seja, seu produto, serviço, sua ideia, são eles que serão avaliados.

Entenda que não interessa o quanto você é feio, bonito, gordo, alto, magro, baixo porque isto nem chega a entrar em pauta. O que entra em pauta é a relevância do que você propõe.

Definitivamente a questão NÃO É VOCÊ, mas o que você diz.

 

Conclusão

Escrever este post para mim é um alívio tremendo. É muito ruim quando nos esforçamos para construir bons resultados e vemos cada vez mais pessoas acreditando em falsas verdades e se desestimulando para alcançar seus objetivos.

Espero que o artigo tenha sido útil para você. Afinal, passamos por bastante coisa mais uma vez.

Com a leitura deste texto compreendemos que:

  • Desde cedo somos incitados a acreditar em mitos sobre a produção de vídeos;
  • Estes mitos são altamente nocivos à nossa autoconfiança;
  • Carisma não é inato, ou seja, pode ser aprendido;
  • O vídeo é tão transparente quanto as águas do Rio Tietê;
  • Você não é tao feio quanto acredita.

Foi agradável a leitura deste artigo para você? Saiba que estou sempre pronto para escrever aqui e estou comprometido com o aprendizado dos meus leitores.

Fico esperando, portanto, o seu comentário. Gosto de saber o que vocês acham sobre o assunto.

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