THE VOICE: O dia em que mais senti MEDO na última década

THE VOICE: O dia em que mais senti MEDO na última década
13 de maio de 2015 Vitor Alli

Hoje eu vou revelar quando foi que senti mais medo na minha vida e como você e o Falar pra Câmera me ajudaram a superá-lo.

Antes é preciso saber que tomei passos muito importantes em toda a minha vida.

Passos que muitas pessoas não tomariam por terem medo.

Acredito que, por isso, uma das características que mais atribuem a mim é acoragem.

Mas a gente já viu no post sobre medo da câmera que não existe coragem onde não há medo.

Ou seja, se fui corajoso é porque também tive medo.

O medo é inerente ao ser humano. É um sistema de proteção que não te deixa escapar da zona de conforto.

O nosso cérebro interpreta certas mudanças como um perigo e ele certamente vai usar seus sistemas de proteção pra evitar uma mudança reconhecida como possivelmente dolorosa para você.

É a síndrome do dedo na tomada. Você instintivamente evita chegar seu dedo perto de uma tomada depois que toma seu primeiro choque.

Seu cérebro te protege de algo que ele acredita ser doloroso – seja baseado em experiências passadas ou fazendo uma previsão negativa do futuro.

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De tanto tomar grandes decisões e de tanto conviver com essa sensaçãozinha que tenta me puxar pra trás, eu aprendi a ter o que eu chamo de uma audição interna seletiva.

O medo está lá falando, às vezes gritando, comigo e eu ouço com atenção, mas, ao mesmo tempo, eu o ignoro e traço meu caminho baseado na lógica, nos desejos e/ou até na intuição.

E justamente por isso eu também me considero corajoso! Porque sei que enfrento meus medos.

Mas já fazia muito tempo que uma sensação de paralisia, boca seca, suor frio, baixa imunidade não me pegava de jeito.

Para que você tenha uma ideia, antes do relato do post de hoje, eu só me lembro de sentir medo por uma pequena hora em 2010, quando eu tinha um teste para ser apresentador de um programa e dois dias antes eu acordei com um inchaço tão grande na campainha (úvula), que ela chegou a deitar sobre a minha língua.

Eu achei que por um ronco ou algo do tipo eu tinha cortado a úvula e nunca mais poderia falar direito. Meu sonho de ser radialista, apresentador, podia estar comprometido.

Eu realmente me desesperei, peguei o carro correndo, fui direto para um otorrino de confiança. Por sorte era um processo alérgico apenas. Injeção e tudo certo.

Depois fui descobrir problemas sérios, mas nada que comprometesse minha voz em curto prazo.

E por mais que fosse por um pequeno espaço de tempo, eu já tinha repensado toda a minha carreira, já tinha colocado um monte de coisa na cabeça e tudo aquilo que o medo foi antecipando para me deixar preocupado e não pensar nomomento presente.

Um dos meus maiores lemas na vida é “O que não tem solução resolvido está”.

Confesso que esta frase me ajuda muito a manter a calma e achar saídas alternativas. Ou parar de me desesperar. Ou “parar de bater cabeça”, se preferir.

Mas tem vezes que não tem jeito.

Para uma situação ou outra o MEDO vem. E vem com força. E o jeito é aprender a lidar com ele. Respeitar essa força que ele tem e ativar toda a sua sabedoria e auto-conhecimento para evitar a autossabotagem.

 

QUANDO O MEDO TOMA CONTA

 

A partir de agora, eu vou contar com detalhes o dia em que o MEDO me pegou de jeito e eu precisei manter a calma e o foco para aplicar tudo aquilo que falo para os meus alunos.

Bom… fui um case de sucesso para mim mesmo. Se quiser um resumo, assista ao vídeo abaixo. Mas saiba que os detalhes se encontram aqui na página.

 

Pois é. Eu te entendo… não é fácil sentir medo.

O medo é um trollador interno, como gosta de falar nosso amigo Pedro Céusobre a auto-crítica, que é também responsável por uma pá de crenças limitantes. Mas não apenas.

Ele é também um causador de reaçoes físicas como taquicardia, suor, dificuldade de respirar, amigdalites, dores no corpo, baixa imunidade e, portanto, propensão a resfriados e viroses, bem como mal estar, desmaios, pressão alta etc. etc.

Poderoso, né?

É sim. Mas quem cria o medo é também você.

Ele é parte integrante das suas crenças, da sua visão de mundo, das suas experiências.

Se mantiver a calma, você pode modificar suas crenças, passar por outras experiências e vivenciar outras visoes de mundo e enlaçar o medo. Concorda?

Bom… Eu faço aulas de canto há alguns anos. Mas nunca tinha me apresentado publicamente.

A única vez que me viram cantar foi em um teatro, na apresentação de fim de ano dos alunos do estúdio onde eu tinha aula. Eram pais e professores, dispostos a ouvirem as maiores barbaridades vocais e aplaudirem.

Era uma apresentação pública, mas para um público muito generoso. Você pode ver abaixo:

 

Naquele dia eu senti o quanto cantar me tirava o chão. Ali fiquei nervoso, de mãos geladas, mas quem se apresenta em público sabe que isso é normal. Sempre rola um medinho, uma ansiedade. Mas nada grave a ponto de te paralisar, te deixar doente.

Lembro que todo mundo elogiou minha apresentação, que não tiveram a menor impressão de que eu estava nervoso.

Pois é… a gente aprende a não demonstrar.

E só eu sei o que estava passando naquele momento, em que os quase 2 minutos de música foram suficientes para eu analisar todos os rostos da platéia, reorganizar os arranjos vocais para superar a tremedeira e a instabilidade na garganta, controlar os movimentos do corpo para não deixar claro o quanto o meu corpo tremia, sentir o calor das luzes no meu rosto.

Sensibilidade à flor da pele. Vejam que só mexo a perna no fim da apresentação.

O fato importante é que apesar de saber que esa insegurança é normal, eu já senti ali que cantar estava um degrau acima na escala medo. Eu enfrento platéia de 5 mil pessoas em palestra, mas cantando estava difícil enfrentar 100.

Sabendo isso estamos prontos para saber o que aconteceu em 2015 e que me deixou doente de MEDO!

THE VOICE OF GERMANY!

 

Desde que cheguei à Alemanha, uma coisa me surpreendia: como o The Voice brasileiro, mesmo sendo muito inferior a outros deste mundão, era infinitamente melhor que o Alemão.

Eu me sentia até motivado de experimentar uma inscrição.

“Po, Vitor… inscrição?! No The Voice?! Mas você nem é cantor!”

Pois é. Eu ouvia esse eco na cabeça. E um dia me bateu uma Síndrome de Chaves e me inscrevi nas audiçoes de 2015 “sem querer querendo”. Na verdade me inscreveram de surpresa porque eu estava no Brasil nesta época.

E, de repente, por terem assistido ao vídeo da apresentação-para-público-generoso, me convidaram para as audiçoes preliminares do The Voice Alemão!

WHAT!?!?!?

Me acharam minimamente bom pra me chamarem pra uma audição?
NAO QUERO PERDER ESTA EXPERIÊNCIA!

E essa decisão foi fundamental para eu não me deixar vencer pelo medo. Eu queria passar pela experiência mesmo sabendo que as chances eram mínimas.

Mas peraí…

  • Eu não sou cantor
  • Eu não tenho repertório de música popular
  • The Voice é para músicas populares
  • Eu não falo alemão direito pra participar de entrevistas etc
  • Bom… eu nem cantar canto direito pra participar de um The Voice
  • Faz anos não faço aula direito
  • Eu nunca performei uma música num palco
  • Eu não sei colocar meu corpo pra interpretar uma música
  • Onde fui me meter?!?!?!?!

E sabe qual foi a grande diferença de passar por estes medos agora?

É que eles eram novos. Eu ia fazer algo que eu sabia que me tirava o chão, mas completamente fora da minha zona de conforto.

Sem amigos ou família por perto. Em outro país. Em outra língua.

Não fazia ideia de como era uma audição.

Fora que não teria um público generoso, pelo contrário: jurados e colegas de audiçã (para alguns, concorrentes).

E eu não fazia ideia de como passar por esta nova experiência.

Na verdade eu sabia que eu precisava me ouvir. Ouvir todos os meus anos de pesquisa e experiência que serviram para tirar o medo dos meus alunos e espectadores. Eu precisava, de novo, aplicar todo este conhecimento para mim.

O trollador interno se sentiu um rei porque eu realmente dei importância pra o que ele dizia.

E ao contrário do que a gente acha, não se precisa ignorar o medo 100%. Ouvi-lo não é ruim.

Ele quer te proteger e se você conseguir provar que ele está errado ou se movimentar para que aquilo que ele diz não se torne realidade, então você gerasegurança.

Eu realmente não me sentiria confortável se eu não achasse caminhos de respostas para tudo o que ele me dizia internamente.

Ouvir o trollador interno foi importante, mas muito mais num sentido de provar que nada do que ele me dizia era motivo para me parar.

Eu entendi que ele estava tentando me livrar de me sentir envergonhado, ou de uma humilhação pública.

Mas eu sabia também que essa era minha chance de poder me dedicar ao canto, que é algo de que eu gosto, sem ter que inventar desculpas, ter motivos… era hora de investir tempo e dinheiro nisso com um propósito muito claro, sem ser apenas “por terapia”. Era a chance de ter um olhar crítico sobre a minha trajetória musical / vocal.

E foi o que eu fiz. Sabia que precisava me botar em movimento para superar este medo. É o que sempre digo aos meus alunos /espectadores. Não trava. Vai! Mergulha. Vai aos poucos, mas vai!

Primeira medida: suspender todas as atividades caras que estava fazendo no Brasil e dedicar meu tempo e meu dinheiro a boas aulas de canto.

Revisitei todos os professores que eu tive. Ouvi atentamente a cada um deles. Procurei outros profissionais. Ouvi suas experiências e direcionamentos.

E não só professores de canto. Ouvi produtores musicais, artistas, amigos, atores, jornalistas, terapeutas, bailarinos, coaches, dançarinos, diretores de corpo, todos que estavam ao meu alcance.

Preenchi meu tempo e minha mente de informação relevante.

Aumentei meu repertório, conheci mais de música popular, aceitei minhas limitaçoes e, mais do que tudo, me aceitei naquela experiência.

É verdade, não sou cantor, mas estou cantando. Quem é o Vitor enquanto canta?Procurei responder com toda sinceridade.

Lembram da questão PERSONA? Quem sou eu quando estou feliz, com raiva, na padaria, na sala de aula? Como sou eu quando estou cantando?

No fundo, eu sabia que eu podia garantir uma performance razoável cantando “Atirei o pau no gato”, que fosse… Bastava eu focar na minha personalidade.

Lembra também de que não é necessário ter a câmera, as ferramentas de última geração? Você não precisa delas. Você precisa botar sua personalidade pra brilhar de maneira criativa e engajadora!

Eu também não precisava DA VOZ! Uma música mais simples, podia dar mais valor à interpretação, podia achar um jeito de parecer revolucionário ao invés de desafinado, eu só precisava me dedicar e não focar em ser o novo Stevie Wonder porque isso não aconteceria da noite pro Dia.

Mas lembra da minha decisão? Do meu foco? Podia acontecer o que fosse, eu não desistiria da apresentação… então o melhor que eu poderia fazer por mim eratrabalhar a certeza de que eu estava dando o meu melhor.

Não queria sair do teste com a sensação de que nao passei por falta de preparo, ou que eu não entreguei tudo o que eu tinha.

Eu sabia que se eu me dedicasse e deixasse de lado minhas crenças limitantes, mesmo que eu não passasse, eu passaria por uma experiência que me ensinaria muito e me traria novas bagagens… Se não isso, pelo menos podia ser divertido, me dar historia para contar. Realmente não tinha o que temer – a não ser a humilhação pública.

E mesmo se eu passasse vergonha, se algo muito ruim acontecesse, não ia mudar minha vida de forma tão brusca.

Mudaria sim no caminho oposto… imagina se eu passo e viro um rockstar na Alemanha… nem seria de todo ruim, né?

Mas o medo é fogo.

Ainda no Rio, chegou a semana do teste. Minha viagem de volta para Hamburgo estava marcada para um dia antes do teste.

No meio de um bloco de carnaval, uma febre de 39º!

Era uma amigdalite braba, que me fez ficar de cama por 4 dias e desencadeou uma sinusite.

E você sabe o que acontece quando se voa com sinusite?

Seu ouvido pode fechar e você pode ficar surdo por um tempo. Eu fiquei surdo do ouvido direito por 4 dias. Sim… fiz o teste com um ouvido fechado.

Eu estava nervoso. Visivelmente nervoso.

E pra completar o soneto, o teste não seria individual… seria eu cantandoacapella para 2 jurados e 20 outras pessoas numa sala. Perfeito pra quem está se borrando.

E o que aconteceu?

Eu busquei o máximo de conforto possível. Paguei os olhos da cara numa água gourmet no bar do hotel pq eu precisava de água.

Passei a música mil vezes, observei meus concorrentes, me posicionei sempre como observador, tentando ser o último a entrar, sentar na última fileira etc. E, claro, atento para espaços para mostrar pró-atividade.

Logo depois do primeiro candidato, um leve alívio… eu não seria o pior do dia, tadinho.

13 candidatos depois, chegou minha vez.

O fato é que eu tinha a certeza de que melhor eu não poderia ter feito. Aproveitei todas as minhas possibilidades de aprendizado, todo o meu tempo de ensaio, tudo.

Não estava seguro, mas fiz todos os exercícios de respiração, algumas oraçoes que aprendi com a querida Ariana Schlösser e encarei o desafio.

E o que aconteceu?

Cantei, me elogiaram e pediram outra música!

O QUÊ?! Eu não sou ruim??!???!?!?

Não esperava por isso. Travei. Gelei. Deu branco. Então sim… eu sei exatamente o que você pode passar na frente da câmera.

Eu esqueci o nome da música que eu ia cantar e obviamente a letra também.

Pedi um segudo, lembrei mais ou menos, gostaram da escolha do repertório, estavam com uma cara bem receptiva, mas eu troquei todas as estrofes porque nao lembrava direito da letra, escolhi o pior trecho da música pra cantar e, claro…

Não passei.

Veio a sensação de que caguei tudo? Por um segundo, sim.

Acho que minha maior vontade era sair de lá o mais rápido possível para voltar à vida normal, pensar em outras coisas que não fossem nas músicas que eu tinha preparado.

Mas assim que botei os pés fora do hotel, me bateu uma sensação boa de dever cumprido e a vontade de todo ano passar por aquela experiência.

Foi importante! Importante demais. Foi fundamental para eu acreditar que possocantar, enfrentar públicos diversos se, e somente se, eu me dedicar, estudar, fizer a minha parte. Se eu estiver comprometido com a minha verdade.

Rapidamente eu entendi que não tinha porque ter ficado nervoso. Eu consegui duas coisas muito importantes: o interesse dos jurados e o elogio dos meus concorrentes, que logo depois da minha apresentação vieram me parabenizar.

O medo faz as coisas ficarem muito maiores do que realmente são.

Bom… pra quem achava que ia passar a pior vergonha da vida se ver elogiado pelos concorrentes e ter 2 jurados te pedindo mais um? Estava no lucro.

E o que fica além disso? A certeza de que, se me chamarem de novo, estarei mais preparado, mais relaxado, mais certo de que darei mais e que o meu degrau de qualidade será mais alto. Mais chances, mais vivência, mais tudo…

Saí de lá pensando em você também. Justamente porque eu vivi esse medo extremo e eu o enfrentei como eu sempre falo aqui: me colocando em movimento e aguçando os meus sentidos para entender melhor este medo, pra ele nunca mais me incomodar daquele jeito.

Então, queridão, se liga aí que a gente está no mesmo barco e eu tenho muito pra te contar. E você? Passa por situaçoes parecidas quando vai gravar seu vídeo? Quando sentiu mais medo na sua vida? Comenta aqui embaixo!

Vou ficar muito feliz de responder às suas dúvidas.

Um grande abraço e até a próxima!

Shares

  • Fala Vitor!

    Que aula cara, muito bom mesmo essa história e a forma como tu contou… Deu para sentir o medo daqui!

    Abração,

    • Obrigado, Fernando!!! Grande abraço!

  • Ariana Schlösser

    Ameeeeeeeeeeeei Vitor! Amei amei, teus vídeos tão cada dia melhores! Ri muito e me identifiquei muitas vezes! Muito bom falar assim autenticamente sobre tua experiência! Gratidão por compartilhar e fazer a gente rir da Vida e do ego! <3 feliz em fazer parte da sua Vida linda!

    • Ariiiii! Lembra que você me ajudou a passar pela maior crise deste momento? Sobre identidade vocal, quem é o Vitor cantando? Essa era a única crença que ninguém tinha me ajudado a resolver até então… pelo contrário. Os professores dizem “é… só com o tempo, só com pesquisa, só com experiência”. Os amigos diziam “para de besteira”. E você disse “você faz tantas coisas… é tão diferente em tudo que faz… você pensa em quem você é quando faz as outras coisas? Por que se preocupar com isso? Você já é você. Pense então em como é o Vitor quando canta?” E isso me mostrou que era só eu me reconectar comigo porque é justamente o que falo pros meus alunos quando falo de Persona.

      Muito importante colocar isso aqui! Por que todo mundo sente medo… a gente só tem mesmo que escolher o amor, aceitar, confiar e seguir o caminho. 😀 Obrigado por ser minha mestra linda 😀

  • Muito, muito, muito bom, Vitor!!! Eu tinha salvo o link nos favoritos pra ler e consegui ler (e ver o vídeo) agora!

    É legal ver que você tem medos tão normais quanto o de qualquer pessoa. E eu ri pra cacete… ahaha

    vamo com tudo!!!

  • Show Vitor! muito legal o relato, parabéns pela coragem.
    Os vídeos dessa página do the voice alemão não estão rodando, dá uma conferida aí.
    abç

    • Obrigado, Lucas. Já pedi pro pessoal consertar.

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