ESCUTA ATIVA: O SEGREDO DA INTELIGÊNCIA EM COMUNICAÇÃO

ESCUTA ATIVA: O SEGREDO DA INTELIGÊNCIA EM COMUNICAÇÃO

ESCUTA ATIVA: O SEGREDO DA INTELIGÊNCIA EM COMUNICAÇÃO
14 de julho de 2020 Vitor Alli

Um dos meus grandes desafios no Falar pra Câmera é aumentar as habilidades de comunicação de quem me segue. Isso porque somos ensinados que a comunicação é algo natural, que acontece de forma fluida no ser humano. Mas é só colocar esse ser na frente de uma plateia ou de uma câmera que a gente nota que não é bem assim que a banda toca.

Hoje eu quero falar sobre o que eu considero um dos pontos-chave para melhorar a sua comunicação independente da mídia que você vai usar para se comunicar: palestra, vídeo, podcast etc. A Escuta Ativa é um hábito que vai te tornar mais inteligente em qualquer situação. E isso não é papinho. Basta ficar até o final do texto para reconhecer.

Você já deve ter ouvido aquele ditado popular de que “temos 2 ouvidos e uma boca”. Geralmente ele é dito quando alguém quer ressaltar que precisamos ouvir mais do que falar. Há grandes ensinamentos nesta frase, mas há também controvérsias. O grande segredo de uma boa comunicação está mesmo em saber equilibrar as duas coisas, mas falar e ouvir vão muito além do que a gente aprende desde cedo.

Neste post você vai ver:

  • O que de fato significa ouvir mais;
  • Como a Escuta Ativa vai te tornar uma pessoa mais inteligente;
  • Exercícios de Escuta Ativa que vão transformar a sua vida.

 

 

Escuta Ativa: o que significa ouvir mais?

Antes de começarmos, quero deixar claro que todos os exemplos que eu citar aqui servem tanto para a nossa vida pessoal quanto profissional, especialmente quando desenvolvemos nossos próprios negócios. Gostaria que você, sempre que ler um exemplo situado em uma dessas esferas, tente transpor para as outras. As dinâmicas são sempre as mesmas. 

Quando alguém te pede para ouvir mais, por exemplo, muito provavelmente é porque você está ignorando alguma camada do que a pessoa te diz, mesmo que você sinta que está dando ouvidos. Lembra aquela velha história da diferença entre ouvir e escutar? Escutar seria a capacidade de perceber um som, ou seja, a habilidade de o ouvido captar o som e, ouvir, seria, para além de perceber este som, conseguir prestar atenção suficiente para entendê-lo e processar as informações que ele entrega. 

Mas e quando você acredita que está prestando atenção e ainda assim te demandam mais escuta? Provavelmente esta demanda é, na verdade, por ainda mais atenção ao que é dito. Acontece que ouvir é entender as palavras, mas é também entender o que está por trás delas, ir para além do texto e agir a partir do que foi dito. No teatro, chamaríamos isso de entender o subtexto, ou seja, o que o texto esconde.

Vou usar o exemplo que sempre uso aqui no Falar pra Câmera: se eu estou com um semblante pesado, uma voz morosa, baixa e digo, sem empolgação, que “estou muito feliz”, certamente você não vai acreditar porque a sua Escuta estava Ativa e prestou atenção em mais elementos do que apenas no texto que eu disse. 

O pedido para maior escuta geralmente vem quando você assume uma postura passiva na comunicação, ou seja, as palavras entram no seu ouvido e repousam, não reverberam, você não busca de fato entender o que é dito em sua totalidade. Isso pode causar esquecimento fácil do que foi dito, mal entendidos, assunções enganosas, você pode às vezes ignorar o pedido da pessoa sem querer, ou ainda meter os pés pelas mãos por falta de atividade, ou de pensamento crítico.

Sem a Escuta Ativa você está vulnerável à manipulação! Isso mesmo: propenso a ser manipulado.

 

 

Mas antes de aprofundar nisso, vamos nos manter num nível primário de percepção. Pergunte-se: Será que eu sei, dentre outros, ouvir meu público? A gente sabe articular um pedido deles? Saiba que muitas vezes o que eles pedem não é exatamente o que eles querem (já falamos mais disso neste post sobre Crítica e Autocrítica, lê lá!).

Como assim? A Escuta Ativa pode nos ajudar justamente aí. A proposta de escutar ativamente é conseguir peneirar informações sobre as necessidades das pessoas quando elas nos comunicam algo. Ainda que esta comunicação não seja verbal. Quero dizer que ouvir ativamente é procurar com consciência essas informações. Isso é muito diferente de passivamente ouvir algo e não interpretar os sentidos das mensagens que recebemos. 

Este papo pode parecer muito básico, muito óbvio. Mas somente por enquanto. A gente precisa ter essas bases absolutamente bem entendidas antes de continuar. Por isso eu gosto muito de pensar sobre o que chamo de Princípio da Informação Mínima, que seria o caminho mais rápidos e interessante para peneirar essas informações, interpretar esses sentidos escondidos nas falas das pessoas e empresas.

Por maior que seja a frase, ou as frases, que alguém está te dizendo, a primeira coisa que você precisa fazer é reconhecer a resposta para a pergunta: o que esta pessoa está querendo de mim?

As respostas vão variar, pode ser: me informar de algo, me contar um evento da vida dela, uma opinião, um conselho, uma troca, uma venda, um afago, um incentivo, trocar experiências e, dentre outros objetivos, me levar a acreditar em algo.

 

 

Veja que, ao me fazer esta pergunta, para além do conteúdo de texto que ela me disser, eu começo a fazer na minha cabeça um resumo objetivo do que eu entendo. Assim, eu não vou me perder nas nuances da forma que a pessoa usa para se comunicar. Eu terei total consciência do conteúdo do que está sendo transmitido.

Caramba! Mas aí a gente tem que ficar pensando toda hora em quais são os interesses das pessoas? 

Que fique claro: eu não quero que você passe a desconfiar de tudo e de todos, nem que você artificialize todas as suas interações de comunicação. Mas eu adoraria que você percebesse agora como a Escuta Ativa pode melhorar suas relações, trazer seu pensamento para uma realidade mais objetiva ou ainda trazer consciência sobre as intenções de quem se comunica com você – sejam elas representantes de empresas ou pessoas.

A proposta aqui é de ouvir de verdade. Quando a gente se prontifica a entender qual foi a informação mínima gerada naquela situação de comunicação, a gente para não só para ouvir, mas para entender, absorver aquela mensagem. Em ambientes empresariais esta é uma habilidade absolutamente importante. A capacidade de síntese de comunicação te leva a entender mais rapidamente o pedido das pessoas, a também pedir mais objetividade nas solicitações e poder confirmar seus pedidos objetivamente para evitar retrabalho.

Sendo assim a Escuta Ativa vem como um alerta meu para que você passe a encarar as informações que recebe desta forma: ativamente procurando por elementos, sentidos, motivações para que seja crítico e não tão suscetível a enganos. E, mais do que isso, para que você adquira uma comunicação mais empática e objetiva, atenta às necessidades dos outros. 

O único erro que você não pode cometer é não se ater aos fatos. A ideia não é analisar o seu interlocutor e fazer conexões mirabolantes sobre suas intenções, é apenas obter clareza sobre a mensagem que ele te entrega. 

 

Como a Escuta Ativa vai te tornar uma pessoa mais inteligente?

Como eu disse no início do texto, a Escuta Ativa é uma habilidade. Como toda habilidade, quanto mais você treina, melhor você se torna em usá-la. Eu me lembro que, mesmo durante a faculdade de comunicação, eu via alguns colegas retirarem informações sobre filmes, textos e publicidades que para mim não faziam sentido.

Na verdade, faziam sentido, mas de forma inconsciente. Quando trazemos essas informações à consciência, temos mais liberdade e autonomia para fazer escolhas, poupar nosso tempo, energia e até dinheiro – seja para se livrar daquele vizinho que não cala a boca, para evitar ou solucionar conflitos, para resolver problemas no trabalho, para fugir do papinho do vendedor, para identificar relacionamentos abusivos, para não cair na ladainha das campanhas publicitárias, nas fake news e muito mais.

Treinar a Escuta Ativa vai te trazer mais habilidades cognitivas, comunicacionais e muita agilidade de raciocínio, bem como muito mais calma nas suas ações e reações, uma vez que a objetividade diminuirá mal entendidos e o caos que certas situações nos trazem.

Meu objetivo aqui vai ser levar a você informações e técnicas para você treinar a sua escuta ativa e peneirar as informações necessárias para objetivar a sua comunicação com as pessoas ou com o seu público. No início, esse processo soa antinatural, difícil, artificial, mas aos poucos você introjeta a prática no seu dia-a-dia e é como se você tivesse implementado um chip no cérebro, capaz de decodificar as mensagens à sua volta de forma mais simples e objetiva. Então vamos à prática!  

 

 

Exercícios para transformar a sua vida

Para a gente começar a trabalhar a nossa escuta ativa, é preciso exercitar o Princípio da Informação Mínima:

Experimente se perguntar mentalmente a cada interação de comunicação o seguinte: “Tá, e daí?!”

Evite se perguntar isso num tom de deboche. Encare com curiosidade. “Tal pessoa me disse tal coisa… tá, e daí?”

Essa tarefa traz consigo indagações necessárias para a gente pensar sobre: quem fala, sobre o que fala, de que ponto de vista fala, com que interesses, em nome de quem, com quais objetivos, a fim de quê.

Eu sei que pode parecer exagero. Nem sempre essas perguntas são necessárias. Mas você assiste ao telejornal pensando sobre isso, por exemplo?

Este é um outro exercício que eu gostaria que você fizesse. Assista a um telejornal famoso e busque o subtexto de alguma matéria. Pode procurar no site do telejornal que, provavelmente, você vai ter o vídeo que foi ao ar. Analise:

  1. Tá, e daí? O que querem me dizer?
  2. O que mostram? O que a câmera filma? Onde estão? 
  3. Como mostram? O repórter interage com algo ou alguém? O que acontece?
  4. Era necessário mostrar desta forma?
  5. O que pode estar por trás da escolha que fizeram para mostrar tal informação?
  6. Pessoas são entrevistadas? Quem são? Como elas contribuem para a matéria?
  7. Você acha que as informações da matéria são suficientes?
  8. Quem mais você entrevistaria? Com que objetivos?
  9. Ao final da matéria, quais as conclusões você tira? Ela te informou ou te gerou mais dúvidas?
  10. Tendo informado ou não, ela gerou algum sentimento em você? Raiva de alguém, de alguma instituição? 
  11. Apesar deste sentimento existe alguma informação objetiva? Ou são só suposições?

Todas essas perguntas podem ser feitas em qualquer mídia ou interação de comunicação. Com um vendedor, por exemplo, você pode se indagar para além do “tá, e daí?”:

  1. Que caminho ele está percorrendo nesta comunicação?
  2. Que informações ele me entrega?
  3. Como ele está tentando criar uma conexão comigo?
  4. O que pode estar por trás da escolha das palavras dele?
  5. Que dados ele apresenta? Quais podem ser refutados?
  6. Ele te ignora ou de fato constroi uma interação que se mostra preocupada com as suas necessidades?
  7. Que sentimentos a comunicação dele criou em você? Ansiedade, excitação, insegurança, preocupação, urgência?

Ao sempre se fazer essas perguntas, você exercita o músculo da percepção das informações escondidas pelo texto. E o mais legal é que, para além de ficar mais inteligente na comunicação que você absorve do mundo, você fica também mais inteligente em perceber como está a sua comunicação. Onde você pode diminuir os ruídos da sua mensagem? Como você pode ser ainda mais objetivo e revelar os interesses para ganhar ainda mais credibilidade com o seu interlocutor? 

Espero que este texto tenha te ajudado. Se acha que pode ajudar mais pessoas, compartilhe nas redes sociais e, claro, deixa um comentário abaixo para eu saber como está sendo a sua experiência. Até mais!

Shares

Pin It on Pinterest