Equipamentos – O guia definitivo

Equipamentos – O guia definitivo
16 de fevereiro de 2016 criatica

Nesta página organizo todos os materiais que desenvolvi sobre Equipamento para seus vídeos. Aqui você vai saber mais sobre:

  •  Iluminacao,  posicionamento e movimentacao de câmera;
  • Linguagem Audiovisual;
  • Cenário, figurino, maquiagem, edicao.

Esta página será constantemente complementada e atualizada.

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Equipamento: Linguagem Audiovisual

A primeira coisa que você precisa entender:
Sua roupa transmite uma mensagem. Seu cenário também. Assim como a luz que você utiliza. E por aí vai.

Quando a gente fala de vídeo, diz-se que apenas 20% da mensagem é textual, ou seja, sai da sua boca. O resto é imagético, é linguagem audiovisual. É o que a câmera mostra e como mostra.

Aqui no Falar pra Câmera chamo de equipamento todas as ferramentas próprias da linguagem audiovisual.

Ou seja, tudo aquilo que é fundamental para a construçao de imagens em vídeo. Por exemplo:

  1. Posicionamento e Movimentação de Câmera
  2. Captação de Som
  3. Iluminação
  4. Cenário
  5. Figurino
  6. Maquiagem
  7. Movimentação Cênica
  8. Edição de Imagem
  9. Edição de Som e Trilha Sonora
  10. Efeitos Gráficos

Muita coisa, né?! Mas calma porque você não precisa ser expert em nenhuma delas. Conhecer e saber suas funcionalidades já fazem uma diferença muito grande.

*Lembrando que além desses elementos temos ainda: corpo, voz, conteúdo e persona. Eles não entram na lista porque não são essencialmente audiovisuais, mas são igualmente importantes.

É imprescindível saber que esses elementos quando agrupados de maneiras distintas chegam a resultados também distintos.

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Se você ainda duvida disso, assista ao vídeo disponível nesta página:

http://www.coloribus.com/focus/creative-sound-production-ads/13555455/

Veja que apenas através do som, com a mesma imagem, muitas histórias podem ser contadas.

Imagina o que você pode fazer articulando esses 10 elementos que listamos acima!

Fica claro, portanto, que NÃO HÁ FÓRMULA! É decepcionante, eu sei. Mas é isso.

Não estou aqui para criar um mapa de usos e significados que não fazem sentido.

Quero dizer com isso que não adianta, por exemplo, eu te falar que a câmera mais próxima ao seu rosto dá a ideia de intimidade. Não posso fazer isso com você. Simplesmente porque não tem regra. Se eu colocar uma trilha sonora de filme de suspense, essa aproximação pode passar a ideia de intimidação.

Não pense no audiovisual com fórmulas. Existem regrinhas para a linguagem audiovisual americana clássica e a gente vai ver isso aos poucos. Mas elas não são tao relevantes quanto a maioria das pessoas pensa.

Na verdade, se você quebra essas regras de maneira coesa com a sua ideia, seu filme já é muito mais interessante que os da maioria.

Portanto:

O que existe quando falamos de equipamento é apenas uma busca por SOLUÇÕES DE PROBLEMAS e realização de IDEIAS.

SOLUÇÕES DE PROBLEMAS:

Esses problemas podem ser algo como amenizar defeitos que te incomodam (como a sua altura, ou manchas na pele, olheiras, rugas etc). Assim, você pode utilizar o posicionamento de câmera, a iluminação, a maquiagem para sanar ou amenizar esses “defeitos”.

REALIZAÇÕES DE IDEIAS:

E a realização de ideias pode estar relacionada a adicionar tensão à cena, ressaltar o humor, promover uma mudança radical na ambiência, transitar por emoções, dar sensação de intimidade, de alegria, de festa, de tristeza etc.

Acredite em mim, eu quero que você aprenda a fazer bons vídeos e não apenas mais do mesmo. Quero que você faça vídeos ótimos e diga que aprendeu comigo… rs

Então entenda que o seu conteúdo manda no seu equipamento.

A partir do conteúdo que você quer passar é que virão todas as outras escolhas. Conheça bem a sua mensagem, construa um roteiro consciente de suas limitações, criativo e, a partir daí, use o seu equipamento para melhor transformar este roteiro em vídeo.

 

EQUIPAMENTO depende de USO!

Eu sei que depois de toda essa explicação, tem gente que ainda pode estar ansiosa para saber quais os melhores modelos de equipamentos, como utilizá-los, receber tutoriais e  fórmulas para uma boa edição, uma boa iluminação etc. etc.

Ao longo de toda a minha carreira, acredito que as perguntas mais frequentes que recebi de diferentes pessoas se relacionava a equipamento.

Que câmera usar? Como iluminar? Que programa de edição utilizar?

Particularmente, sempre respondi a essas perguntas por alto. Por diversos motivos. O principal deles é porque basicamente a técnica é relativa e efêmera.

Modelos de câmeras surgem às pencas a todo instante. Escolher a melhor depende do seu objetivo, do seu orçamento e dos seus conhecimentos técnicos na hora de lidar com ela.

Você nunca vai me ver indicando modelos aleatoriamente por aí.

Uma boa iluminação depende das luminárias que você tem e do SET de filmagem, da locação. Cada SET tem uma particularidade e, portanto, não existe fórmula.

Uma boa edição não depende do software utilizado, mas da visão do editor e da capacidade dele de transmitir a mensagem.

Mas vamos aos exemplos para que isto fique mais claro.

Sobre equipamento de câmera, posso dizer que hoje uso uma Canon T3i (600D) . E isso só vai indicar que se você quiser fazer vídeos como os meus, essa é uma boa escolha.

Se você quiser cobrir eventos, fazer vídeos com maior movimentação sem ter um bom cameraman, a T3i é uma péssima opção. Isso porque ela tem foco manual e seu sistema de linhas não colabora muito para captar movimentos rápidos.

Dá pra fazer? Dá. Mas ela não é a melhor câmera para isso. Dependendo do seu objetivo, uma câmera bem mais básica e mais barata, pode ser muito melhor que a minha.

A minha opção pela T3i foi baseada no preço, nas suas funcionalidades enquanto câmera fotográfica e de vídeo, nas possibilidades óticas e nos controles manuais. Além disso, eu conheço o meu estilo de produção. Sei que serão muito poucos os vídeos que farei sem controle cênico. Por isso a escolha.

Sobre a edição, sempre me perguntaram que programa eu uso. Eu uso Première, mas sempre respondi que tanto faz.

Não por não querer compartilhar a informação, realmente não me importo com isso, pelo contrário, quero ajudar o máximo de pessoas a fazer melhores vídeos. Mas a maioria dos recursos de edição que você vai precisar se resume ao corte seco e fade, disponíveis em qualquer software.

O meu objetivo era deixar claro que o programa de edição é o que menos importa para o resultado dos meus vídeos. A ferramenta não faz o profissional.

Ok, você vai dizer que o Final Cut exporta melhor. Que o Avid é genuinamente mais leve. Que o Première é amador. Que o Vegas é um lixo, mas está tudo lá, fácil, rápido. Que o Gimp tem código aberto, é gratuito.

Que estejam todos certos, mas eu tenho uma visao mais pragmática.

Meu objetivo é sempre tentar explorar as ferramentas que tenho com criatividade, alcançando os melhores resultados possíveis. Portanto, a verdade é que nenhuma dessas questões importa se você não focar no seguinte (mais uma vez):

Qual o seu objetivo? Qual seu nível de conhecimento? Qual o seu orçamento? Qual a sua mídia final?

Eu já testei todos esses softwares que listei, mas o Première vem no pacote de programas que eu gosto de usar: Dreamweaver, After Effects, Flash, Photoshop. Todos da Adobe. Por que comprar outro, baixar? Estou satisfeito com os resultados dele há muitos anos.

Se você é amador, se o seu vídeo vai para o Youtube, que use o Windows Movie Maker! Que exporte em .wmv! O importante é você criar o seu vídeo, adquirir prática e entender quais as dificuldades que você enfrenta com as suas ferramentas e ir fazendo seus upgrades de acordo com as suas necessidades.

A melhor ferramenta é aquele que melhor supre as suas necessidades. Ou seja: o uso define a ferramenta.

O USO DEFINE A FERRAMENTA.

Acho absurdo quem simplesmente diz que a luz do Sol é a melhor que existe. Para ela ser boa, vai depender do posicionamento do Sol, ou seja, da hora em que você grava, das condições climáticas, do posicionamento da câmera e dos atores, do rebatimento da luz…

Mas mais do que isso, vai depender de que tipo de luz você precisa!

É uma vídeo-aula? É um vlog? É uma cena?

Leviano é também dizer “utilize a técnica dos 3 pontos de luz”. Nem sempre ela é a melhor. Dependendo das luminárias que você tem, do distanciamento das paredes e do teto, a luz pode ficar horrível.

A verdade é que não existe fórmula para a boa imagem. Existem conceitos, olhares, objetivos e necessidades.

Vejo colegas diretores querendo comprar as câmeras mais atualizadas do mercado.

Utilizar câmeras que gravam em 4k para colocar vídeos no Youtube é como comprar um caminhão para transportar uma tv de 14 polegadas. Não faz sentido.

Sendo assim, não espere que eu fale de equipamento enquanto conhecimento técnico pura e simplesmente.

A abordagem que tenho aqui é de como você pode utilizar o equipamento para complementar a sua mensagem. O foco será sempre o seu objetivo e as possibilidades de uso de seus equipamentos para melhor comunicar.

 

Construção de Mensagens Audiovisuais

Como vimos, a linguagem audiovisual é capaz de provocar sensações, auxiliar no entendimento do que queremos dizer, adicionar dinâmica ao nosso vídeo e facilitar a compreensão do nosso conteúdo em todos os sentidos.

Sendo assim, precisamos sempre ter em mente o que precisamos e o que queremos comunicar.

E assim como os outros elementos da mensagem (como o corpo, a voz e o conteúdo) a linguagem audiovisual tem que estar ao seu favor e tudo deve criar uma coesão.

Entenda que coesão aqui significa a interação destes elementos para uma intenção / compreensão final, ainda que a sua ideia seja alcançar a incompreensão.

Quero dizer com isso que mesmo para ser incompreendido, os elementos devem ser agrupados e manipulados para alcançar a incompreensão. Certo?

Acredito que algumas pessoas devem pensar que não precisam disso tudo, que querem optar por estilos mais padronizados de vídeo, em que você apenas fala para a câmera e pronto. Mas ainda assim você vai lidar com questões mínimas dos elementos audiovisuais:

Mesmo que minha câmera permaneça imóvel, o que ela vai mostrar? Uma parede branca? Um cenário externo?
Que roupa é melhor utilizar: Social ou camiseta?
Será que a luz tá boa?
Preciso de um microfone? Como vou gravar o áudio?
Será que preciso de uma introdução? Uma vinheta?

E eu poderia ir muito além. Mas por que se preocupar com isso?

Simplesmente porque aqui nós buscamos o controle da imagem que produzimos, para que ela diga de maneira mais eficiente o que nós queremos dizer.

Porque se o seu objetivo é comunicar, passar uma mensagem, todos esses elementos podem te ajudar ou te atrapalhar. Por isso devemos estar atentos.

O objetivo aqui não é encontrar um padrão, mas fazer com que você fique atento a esses elementos e consiga utilizá-los bem, ajudando na sua mensagem. Isso torna o vídeo mais claro, mais dinâmico, interessante e, portanto, mais eficiente.

Comentei também que não faremos um mapa de significados porque todos eles podem ser subvertidos no audiovisual. E como é interessante quando a gente os subverte!

Como não acredito nos padrões, não posso fazer isso com você.

Mas posso te indicar o caminho da libertação criativa!

Quando digo que você precisa ter em mente a sua ideia, seus objetivos e mensagem é porque a linguagem audiovisual pode complementar seu conteúdo.

Nós vamos ver daqui a pouco um exemplo meu em que eu diminuo a quantidade de texto e utilizo os elementos audiovisuais para resumir ideias em cenas atuadas.

Mas, antes, precisamos deixar mais claro esse processo.

O meu processo

No meu caso, ele é bem simples, mas o trabalho é árduo. E saiba desde já que a rapidez e a sagacidade neste trabalho se relaciona mais com o quanto você pratica do que com talento ou coisa do tipo.

Primeiro eu tenho em mente o que eu preciso comunicar, qual a mídia, quanto tempo tenho e como eu gostaria que o vídeo fosse.

A partir daí, coloco tudo o que eu preciso falar em frases simples, pensando que o vídeo será apenas eu falando para a câmera e pronto.

Depois disso, vou frase a frase pensando em como a mensagem de cada uma delas poderia ser substituída por acoes, cenas. Se isso não couber no formato do vídeo, penso em como complementar essa mensagem. E se eu adicionar uma foto nesta parte? Uma frase escrita na tela (lettering)? Uma animação? Será que meu figurino pode dizer algo que complemente? Será que se eu mudar a luz ajuda?

Outra coisa que quase ninguém percebe é que essas alterações podem ser feitas ao longo do filme. Eu tenho um exemplo engraçado sobre isso.

O vídeo abaixo eu fiz na faculdade ainda, 2009. Ele representa pra mim uma libertação e um ponto da minha carreira em que eu vi que entendi a enorme possibilidade de atuação com os elementos da imagem. Assista:

 

Eu Acho que Eu Estou Perdendo Você por vitoralli no Videolog.tv.

Perceba que a iluminacao muda ao longo do vídeo de maneira imperceptível para os menos atentos. Volte o vídeo e veja que ele comeca azulado e termina esverdeado. A luz comeca com sombras menos marcantes e termina com elas marcadas no rosto da atriz.

Isso tudo sao opcoes para demarcar a transformacao da personagem (que passa de morta a zumbi) e do amor do casal (que termina com o abandono).

O que quero mostrar com isso, é que essas alteracoes e combinacoes podem ser feitas aos poucos, de maneira coesa, conectada aos momentos narrativos. No caso do videomarketing, conectada ao que você fala e ao quanto a mensagem está se completando.

Um outro exemplo que sempre tenho em mente eu li no livro do Sidney Lumet (“Fazendo Filmes”). Ele conta que em um dos filmes dele um personagem passar por uma mudanca psicológica grande e à medida em que o filme passa, ele queria criar a mesma sensacao de claustrofobia do personagem no público.

Sendo assim, ele resolveu aos poucos trocar as lentes nas cenas que se passavam no apartamento do personagem. Comecava com grandes angulares (que mostram mais do espacao) e, ao longo do filme, ele troca por lentes tele-objetivas (que aproximam muito os objetos e “achatam” mais a imagem), colaborando com a sensacao de claustrofobia.

Percebem como podemos nos libertar dos estigmas e utilizar a linguagem audiovisual de maneira criativa.

Minha dica é: ao invés de mapear os significados dos elementos, mapeie seus problemas e suas ideias.

Veja o que você precisa comunicar e o que gostaria de amenizar e ressaltar. A partir daí, olhe para as possibilidades dos elementos que você possui.

Exemplo: nao quero parecer tao baixo. Experimente utilizar a regra dos tercos e posicionar seus olhos na altura da primeira linha horizontal. (saiba mais aqui) Posicionar a câmera levemente abaixo da linha dos olhos, mas mantendo-os na linha do primeiro terço, pode dar a impressao de que você é mais alto. Retirar as referências de tamanho da foto também ajudam (como nao filmar ao lado de um poste, ou cerca, ou algo que denote o seu tamanho por comparaçao).

Acredito que você já tenha entendido. Ainda assim, proponho a seguir uma engenharia reversa do nosso primeiro vídeo do Falar pra Câmera. Quero que você veja como fiz minhas escolhas e ajudar a libertar as ideias e possibilidades na sua cabeça. Vamos lá?

 

Ferramentas audiovisuais: Engenharia Reversa

Para falar das ferramentas audiovisuais de maneira responsável, vamos fazer uma engenharia reversa do primeiro vídeo do Falar pra Câmera.

Vou falar com detalhes sobre todas as minhas escolhas e, a partir delas, mostrar como podemos usar a linguagem audiovisual para resolver problemas ou realizar ideias.

Vamos ao vídeo:

Eu tinha limitado este vídeo a 3 minutos. Me dei uma colher de chá e liberei pouco mais de 3:30. Repare que ele dá dicas, mas não se aprofunda nos temas. Isso é uma consequência do formato curto, mas é também uma escolha.

Para suprir a necessidade de aprofundamento é que existe o site do Falar pra Câmera. A ideia era mesmo gerar curiosidade sobre o tema e direcionar os interessados para cá.

Sendo assim, sabendo de antemão que eu não poderia esgotar os assuntos, procurei dinamizar ao máximo o conteúdo através dos elementos audiovisuais e a atuação.

Veja que, pelo texto, o vídeo todo poderia ser produzido de maneira completamente diferente. Eu poderia tê-lo feito inteiro falando apenas direto para a câmera em uma locação externa.

Seria mais fácil? Não sei. Depende, mais uma vez. Se estivesse chovendo, certamente. Se o local que escolhi fosse barulhento também. Por isso digo que em vídeo tudo é relativo.

Mas vamos ao início do vídeo: Optei pelo fundo preto para que a minha imagem entrasse em destaque e para que gerasse um clima de mistério, de intimidade para os segredos que eu gostaria de compartilhar.

Ao falar o nome do projeto, mudo o tom da minha voz para acabar com esse clima de mistério e reforçar a minha felicidade genuína no compartilhamento das informações.

Este é até um ponto em que mudei o roteiro. Achei interessante gerar contato visual e realmente mostrar minha empolgaçao. O roteiro previa uma animação com a logo do site. Achei menos pessoal e, portanto, mantive a frase sendo dita por mim.

Logo em seguida, vemos a vinheta que anuncia o primeiro segredo. Optei pelo papel amassado e a animação estilo stop-motion para remeter a anotações, aulas, cadernos, post-its.

Para falar que nao precisa de carisma para fazer vídeos, experimento retirar o áudio enquanto assumo uma persona mais antipática que, aos poucos, adquire carisma e faz a trilha musical voltar.

O fundo branco gera contraste com o início do vídeo e ajuda a pontuar a neutralidade que eu precisava para transmitir a falta de carisma, representada também por uma falta de contraste.

Para o anúnico de precaução em relação à genuidade do carisma, eu optei novamente pelo fundo preto para ressaltar a minha imagem e movimentei a câmera de cima para baixo, como se eu interrompesse o seu olhar.

Além disso, veja que até agora só utilizei closes e planos fechados, ou seja, posicionamentos de câmera muito próximos do meu rosto. Isto acontece para criar mais intimidade e também para diminuir a influência do cenário na mensagem.

Pulando para o minuto 1, ou seja, a apresentação do segundo segredo, começo com o efeito de clone. A escolha desta cena se deu porque eu queria mostrar logo de cara que o vídeo não tem nada de transparente. Podemos criar mundos, clones, histórias. Se você obtiver controle das ferramentas, tudo sai como você gostaria.

Na sequência, opto por representar um noticiário porque não acredito na imparcialidade jornalística e menos ainda na transparência da imagem. Como faço uma leve crítica a isto, brinco com o formato.

A sequência “erros de gravação” aparece porque queria reforçar a ideia da cena anterior e preparar o campo para a cena seguinte, em que minha postura, as cores e minha voz se transformam, mostrando que existe a possibilidade e a importância do controle dos elementos. Para isso, eu precisava de mais tempo com  o vídeo em preto-e-branco.

Em seguida, estou de camisa social no fundo branco. Repare que minha imagem se sobressai mais do que apenas com a camisa branca no fundo branco. Além disso, as listras verticais ajudam a manter o fluxo do olhar quando a câmera se movimenta para baixo.

Não é fundamental, e, neste caso, é quase um preciosismo, sim.

Além disso, a camisa social clara cria também um contraste maior com a bermuda escura, ressaltando a segunda peça.

A função desta cena era mostrar que mesmo mais chique na parte de cima, eu poderia filmar descalço ou de bermuda que ninguém saberia e o resultado seria o mesmo.

No mais, a escolha da terceira locação, o fundo de tijolos, foi para pontuar as partes mais atuadas (e diferentes da parte do telejornal).

Como em uma cena eu brinco de “top-model”, optei pela camiseta escura para nao ressaltar gorduras. 😉

Ao final, volto com o fundo branco e a camisa branca para ressaltar a ideia de quero falar “de cara limpa” com você.

No mais, repare que o tamanho dos planos (o quanto a câmera filma) é proporcional ao que é necessário mostrar.

Quando quero aumentar a tensão ou fazer com que você preste mais atenção, eu chego mais perto da câmera (ou a câmera chega mais perto de mim), tenho menos cenário à mostra.

Quando quero mostrar algo no ambiente ou aliviar a tensao do tema, o plano é mais aberto.

Sobre iluminação, repare que ela é pensada para ser a mesma do início ao fim, com o mínimo de sombras (soft light).

Nos planos com o fundo preto, apesar da luz ainda ser suave (soft), existe uma criação de maior sombra no lado esquerdo do rosto. Para mim, isso ajuda na criação da sensação de mistério ou de pedido de atenção. Além de reforçar contrastes.

Estamos quase no fim. Vamos falar das opções de edição de vídeo e áudio.

Optei por fingir o uso de duas câmeras. Como falamos sobre “como falar pra câmera”, gosto de mostrar que é possível estar preparado para qualquer situação no SET. Uma, duas, mais câmeras, com ou sem efeito gráfico etc etc.

Como o vídeo é relativamente curto, para que ele fosse dinâmico o suficiente, resolvi concentrar um plano para cada frase. Deve haver um ou dois planos em que falo mais de uma frase, mas são pequenas exceções    .

Quanto ao áudio, a captação é simples e escolhi deixar as vinhetas dos segredos e a apresentação das ferramentas em OFF, ou seja, uma voz sobre uma imagem que não mostra o dono da voz. É um recurso bastante dinâmico para enumerações.

UFA!

É bastante coisa mesmo. Não é à toa que para estes 3 minutos e meio foram necessárias cerca de 4h de gravação (40min de montagem, 1h para cada fundo, 30min de desmontagem). Considerando que estou sozinho nesta, até que é um bom tempo. Ainda assim, tenho certeza de que mesmo mais complexos, os próximos vídeos serao mais rápidos de serem produzidos.

(Atualização: de fato o tempo de produção dos vídeos seguintes reduziu brutalmente. Isto acontece porque quando você já conhece suas locações, as possibilidades de atuação e, principalmente, quando o conceito e o formato do vídeo estão previamente definidos, tudo flui muito mais rápido e você filma menos, menos vezes e de forma mais eficaz.

No meu caso, a montagem e desmontagem reduziram muito pouco, mas a gravação em si reduziu uma hora, chegando às vezes a uma redução de uma hora e meia.)

 

Conclusão

Ok, este não é um artigo e, por isso, é mais longo que o normal. Esta é uma página expositiva, que permanecerá aqui sempre, sendo atualizada a cada novo material produzido.

Minha última consideração sobre equipamento é que, na minha opinião, os vídeos mais interessantes são aqueles que subvertem os entendimentos mais padronizados da linguagem audiovisual.

Quero dizer com isso que se você quiser fazer algo diferente, não tenha medo. Teste, faça. Só assim você obterá domínio.

Mas tenha sempre a sua mensagem clara.

Por exemplo, se eu disser que movimentos de câmera adicionam dinâmica ao vídeo, prove que é possível fazer vídeos altamente dinâmicos com a câmera parada.

É altamente possível, eu já sei disso. Primeiro porque não duvido da criatividade e das possibilidades da linguagem audiovisual e, segundo, porque a dinâmica pode estar em outros elementos, como nas cores, na edição, no som.

Ok. Acho que isso já ficou claro para você, certo?

Lembre-se sempre de que seu pior filme será seu primeiro e parta para a gravação.

Depois de tanto ter escrito, deve ter ficado perguntas. Espero muito que sim porque quero complementar esta página com as respostas da pergunta que você fizer.

Portanto, se tiver alguma dúvida ou pedido, também não hesite em fazer porque quero muito ajudar você a fazer vídeos melhores e mais eficientes.

Shares

  • Murilo

    Vitor, tudo bem?
    Estou gostando do site, depois de ter assistido todos os seus vídeos pelo youtube, percebi que tinha mais conteúdo aqui.
    E minha pergunta está relacionada a isso também: você não tem receio de perder público desta forma? Pois, ter mais conteúdo no site e não ter ficado explícito nos vídeos, em teoria faria seu visitante procurar mais conteúdo em outro lugar.
    Você já pensou sobre isso? E, se sim, como lida com isso?
    Obrigado,
    Murilo

    • Murilo

      Ah, outra coisa, o seu link do videolog.tv não abriu nada para mim!

  • Pingback: Criatividade: Como se Tornar uma Pessoa Criativa - Falar pra Câmera()

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